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Um pouco de arame e muita imaginação

Por RaphaelZ em Arte

Terry Border é o fantástico criador do Bent Objects, onde ele monta imagens ilárias utilizando objetos e até comida.

Essa é a formula correta para a arte: Algum material barato + imaginação = arte certa!

Para mais imagens, visite: http://bentobjects.blogspot.com/

 

Qual é o melhor carro brasileiro para transformar em um Delorean DMC-12?

Nem Ferrari, nem Porsche: se eu ficasse milionário de uma hora para outra, o primeiro carro que compraria seria um Delorean DMC-12. Claro que ia comprar os outros depois, mas não ia perder a chande de ter um desses na minha garagem. Lá fora até custa barato – já vi um por US$ 14.000, mas nesse circo de pulgas que é o Brasil, importar um custaria bem caro – pelo menos três vezes mais. But... Wait! Por que importar se podemos fazer uma homenagem a ele usando modelos nacionais? Como? Por quanto?

Pois é, para os críticos de plantão, a questão é que é realmente impossível reproduzir um Delorean perfeito com o que temos aqui no Brasil.
E acho que só eu tenho essa fixação, porque demorei muito pra te encontrar, agora quero só você para perceber que nenhum site brasileiro conta a história de alguma peripécia envolvendo a construção de um Delorean. Então eu, visionário, decidi fazer este post no E-zap.net e no MDIG, para aumentar nossas visitas caso alguém quisesse saber sobre o assunto... ^^

Lembrando que:
A ideia aqui é falar de semelhanças e facilidades de tamanho e design. Exclui, portanto, projetos referentes à perfeição estética, bem como às portas asas de gaivota, mudanças no interior do carro, etc.

Caneta e papel na mão, vamos lá...

Historinha: o original
O DeLorean DMC-12 é um carro esportivo produzido inicialmente de 1981 a 1982 pela empresa automobilística norte-irlandesa DeLorean Motor Company. O DeLorean DMC-12 ganhou status principalmente por aparecer na trilogia de filmes de ficção científica De volta para o futuro.


Bom, a empresa pediu concordata em 1983, por causa de um escândalo envolvendo um suposto financiamento por drogas na produção dos carros. Isso há dois anos antes do filme De Volta Para o Futuro estrear no cinema. Ou seja, o carro ficou famoso quando nem era produzido mais.
Não são tão poucos exemplares pelo mundo à fora, mas no Brasil, por exemplo, dizem que existe apenas um. Então o remédio é pensar nas:

Possibilidades:
5. VW Passat TS, Pointer ou Village
Eu gosto só um pouquinho do Passat. Acho ele desengonçado. Mas era um carro de sucesso na época, e não é muito difícil encontrar um em bom estado, com valores entre 5.000 e 10.000 reais. 

Vantagens da construção:
O Passat tem a frente comprida e reta, além de faróis dianteiros duplos, como o DMC-12. Além disso, o comprimento dele, 4,26 metros, é exatamente o mesmo.

Desvantagens da construção:
Apesar do mesmo comprimento, o Passat é bem mais alto que o Delorean. É nessa parte que eu disse que acho ele desengonçado. O que vai ocorrer é que, apesar dos esforços, todo mundo que olhar seu Delorean Passat vai sempre lembrar mais do Passat do que do DMC-12. Se você não quer que isso aconteça, seria legal pensar em um:


4. Vw TL (ou alguma Wariant)
“Que tosco, esse carro nem lembra um Delorean!”, você deve estar pensando. Mas pense de novo! A TL eu já gosto um pouco mais do que o Passat. Eu acho que se o Delorean fosse da década de 70, seria parecido com ela. É um carro antigo, um pouco mais difícil de encontrar e com um preço que varia muito: entre 2.000 e 15.000 reais, dependendo do estado geral do carro. 

Vantagens da construção:
Mesmo sendo mais baixa que o Passat e mais alta que o Delorean, a TL também tem o comprimento igual (dependendo do ano), e além disso, o motor dela também é atrás. Por isso, a frente é bem mais baixa, na altura do eixo, o que traria semelhanças com o DMC-12.

Desvantagens da construção:
A TL é mais redondinha que o DMC. Embora a lateral fosse ficar legal, a frente e a traseira precisariam ser seriamente modificadas para o carro virar uma homenagem ao carro da Delorean.


3. Vw SP-2
Esse é bom! O SP2, um esportivo desenvolvido especialmente para o mercado interno brasileiro é um clássico da década de 70. Tirando os faróis de Brasília, é um carro que eu particularmente gostaria de ter. A faixa de preço varia muito, de 5.000 a 40.000 reais, também dependendo da conservação.

Vantagens da construção:
Mesma altura, mesmo comprimento, motor atrás. Modificações na traseira e na dianteira e pronto, temos um carrinho parecido com o Delorean.

Desvantagens da construção:
Bom, eu particularmente teria muita dó de transformar um carro clássico em outro. A SP2 sempre me chamou atenção do jeitinho que é.

 

2. VW Gol “Quadrado”
Ah, esse é meu favorito. Abra sua mente: o Gol chega a parecer mais com o Delorean do que o Passat, mesmo sem faróis duplos. É fácil de achar, tem boa mecânica e com até 10.000 dá pra conseguir um bem inteirinho.

 

Vantagens da construção:
O Gol lembra muito o VW Scirocco, que é usado lá fora para fazer réplicas de Delorean. Rebaixadinho, dá para deixar até parecido, sem mexer muito no carro. Ele vai continuar sendo um Gol, mas com faróis duplos ele lembra um Delorean, sim.

Desvantagens da construção:
Ele é mais alto e menos comprido que o DMC-12. Só isso.


1. Réplica em Fibra de Vidro
Agora, explicando o motivo de eu ter citado esses modelos, que num olhar mais crítico, não tem nada haver com o Delorean: uma empresa que produz réplicas certamente usaria o chassi de um deles para fazer um Delorean, caso não quisesse usar um chassi tubular. Embora eles sejam mais altos, mais baixos, mais largos ou até menores que o DMC-12, todos estes modelos seguem as mesmas linhas de tendência do fim da década de 70 e começo da década de 80, tornando-os conceitualmente parecidos – mais ou menos como acontece com os carros atuais (Celta, Pálio, Gol IV, etc).
Mas é claro que mesmo com todo esforço, eles não vão ficar idênticos a um Delorean. A única maneira de conseguir isso é encomendando uma réplica de fibra de vidro ou de massa (bem menos popular aqui no Brasil). 

Vantagens da construção:
Vai ficar idêntico. As réplicas são muito perfeitas.

Desvantagens da construção:
As empresas brasileiras de réplicas, como a Autosfibra, de Santa Catarina, ou a Chamonix, de... de... ah, esqueci de onde, são bem profissionais, e cobram por esse profissionalismo.
Talvez seja mais barato importar um DMC e deixar na garagem até juntar dinheiro para regulariza-lo.

Bom, essa era a ideia. Como disse no começo, não dá para fazer um Delorean perfeito sem recorrer aos kits.
Agora, se você quer uma máquina do tempo, pode construir em qualquer carro.
Eu já inventei a máquina do tempo. Só falta patentear. Ela não funciona, mas estou seguindo o exemplo dos irmãos Right: inventei primeiro, então mesmo que não funcione, vou ficar com os créditos. E Dumont que entenda! ^^

Texto escrito para o E-zap.net e o MDIG. Pode ser copiado, mas quem retirar os créditos é um afeminadinho.

Você é Inteligente?

Você é inteligente o bastante para assinar?

Lembrando que assinar é a prova mais prestigiada de inteligência pela comunidade científica.

(clique na imagem para ampliar)

A nobreza do ato e o Golpe de Misericórdia

Há alguns meses estava lembrando do filme Os Três Mosqueteiros, da Disney, que é um dos meus favoritos. Aí, estava pensando numa cena onde a personagem Sabine de Winter (Rebeca de Mornay) está prestes a levar um tiro de Athos (Kiefer Shuterland), e por isso diz: “Piedade. Atire no coração”. Apesar de soar um tanto poético, nós sabemos bem que evitar o sofrimento, nesse caso, seria dar um tiro bem no meio da cara, e não exatamente no miocárdio. Então ficou a pergunta: onde estava a piedade do tiro fatal?

 

Cena do Filme "Os Três Mosqueteiros, da Disney (1993)

Bom, deixando um pouco de lado essa história do filme, fiz uma pesquisa a respeito de conceitos e fatos históricos menos conhecidos da época.

Atire no coração: equivalente ao golpe de misericórdia
O golpe de misericórdia, chamado “coup de frâce” em francês e “mercy shot” em inglês, era o golpe final, que era dado como misericórdia no sentido de acabar com o sofrimento de alguém ferido – soldados, oponentes, amigos – com ou sem o consentimento da vítima.

Seria uma decisão um tanto complicada tirar definitivamente a vida de um amigo, por exemplo; mas, face o sofrimento de alguém mortalmente ferido que ainda está agonizando, seria realmente uma decisão de extrema piedade e nobreza.

Por que, na literatura clássica, o coração muitas vezes é relacionado ao golpe de misericórdia?
Hoje sabemos que, apesar de ser impossível sobreviver sem um coração, e praticamente impossível sobreviver depois de ter este órgão muito comprometido, nossas funções vitais estão relacionadas a outros órgãos, principalmente o cérebro, que inclusive, em sua falência, é usado para constatar a morte em muitos casos.

Mas, há séculos atrás, o populacho via as coisas de outra forma. Talvez, por ter-se um conceito de que nosso coração figurativo é responsável por nossas emoções e fontes de vida, foi-se associado também o coração literal com as fontes de vida de um ser. Atirar no coração, seria, portanto, dar uma de morte rápida a alguém.

Só isso?
Na verdade, não. As mesmas questões de nobreza que envolviam a misericórdia também relacionavam à dignidade de um ato fúnebre.

Uma pistola clássica, que infelizmente eu desconheço o calibre, podia ser projetada para disparar bolotas de chumbo impulsionadas por uma carga considerável de pólvora. Imaginem o estrago que isso causaria na cabeça de uma pessoa!

Por isso, atirar no coração também seria uma forma de proporcionar uma certa dignidade ao enterro do indivíduo, que poderia inclusive ter um guardamento com o caixão aberto ou redomado.

 

Enterro de um bispo, imagem antiga retratando bem que os
funerais dignos poderiam ser feitos com o corpo exposto

 

Então, quando você ler ou ouvir esta expressão em algum lugar, não precisa mais pensar: "que besteira, atire logo na cabeça!"

Este post foi preparado mais ou menos a uns quatro meses, e tinha decido não postar, por parecer um antro de cultura inútil à uma primeira leitura.

Mas decidi postar após ver durante os últimos meses a falta de consideração que tem-se apresentado no geral com a vida.

Espero que esta leitura transmita uma mensagem de que até quem não tem mais esperança de ser salvo merece ter a sua vida e dignidade respeitada. Pouca vida ainda é vida.

Desconheço os créditos das imagens. O texto é meu.